Arquivo da categoria: Territórios Indígenas

Djuena Tikuna

Jornalistas Livres
Published on Oct 22, 2017



A noite do dia 23 de agosto de 2017 ficou marcada por um encantamento e diversidade jamais vistos no centenário Teatro Amazonas, em Manaus. Subiram ao palco, com suas vestimentas e instrumentos tradicionais, grupos de dança das etnias Sateré-Mawé, Tukano, Dessana e Tikuna para um pré-show do espetáculo inédito do lançamento do CD “Tchautchiüãne” (significa em português “minha aldeia”) da cantora e compositora indígena Djuena Tikuna, que canta na língua do seu povo, Tikuna – autodenominado Magüta. Um público de 823 pessoas, incluindo 300 indígenas convidados de diversas etnias, lotou o teatro, fundado 1896. No palco, a artista Djuena foi acompanhada pelo marido, Diego Janatã (na percussão e flautas), e pelos músicos Poramecú Tikuna (maracá e voz), Anderson Tikuna (violão), Antón Carballo (violino) e Agenor Vasconcelos (contrabaixo). Dividiram o espetáculo com ela a cantora Yra Tikuna, na canção “Ewaré”, e Marlui Miranda, na música “Maraká´Anandé”, canção tradicional do povo Ka´apor (do Maranhão). Marlui, que é etnomusicóloca, cantora e uma referência e pioneira em música indígena no Brasil, cantou ainda com Djuena a música “Araruna”, uma canção que fez parte do seu disco “Vozes da Floresta”, de 1996, inspirada na música tradicional dos índios Parakanã (Pará). O CD “Tchautchiüãne” de Djuena Tikuna tem 12 faixas, incluindo o Hino Nacional. Foi com a interpretação do hino brasileiro na língua Tikuna que a artista abriu sua apresentação no Teatro Amazonas acompanhada de crianças da comunidade Wotchimãücü e do imitador de pássaros Cleudilon de Souza Silveira, conhecido como Passarinho. Ele, que acompanhou a cantora em outras canções ao longo do show, assovia os cantos de 37 diferentes espécies da fauna amazônica, entre elas o bacurau, o sabiá-laranjeira e o tucano. As composições no CD “Tchautchiüãne” falam da resistência cultural, da identidade indígena, dos rituais e das ameaças aos direitos indígenas. O espetáculo foi dirigido por Djuena em parceria com o diretor de teatro Nonato Tavares, da Companhia Vitória Régia. Djuena Tikuna (“a onça que pula no rio”) nasceu na Terra Indígena Tikuna Umariaçu, município de Tabatinga, no Amazonas, região do Alto Rio Solimões, na fronteira entre o Brasil, Colômbia e Peru. O gosto pela música ela herdou da avó, Awai Nhurerna (em português Marilza), já falecida, a quem a cantora fez uma homenagem durante o espetáculo no Teatro Amazonas. — Direção: Christian Braga Fotografia: Robert Coelho Câmeras: Christian Braga e Robert Coelho Produção: Renata Frota Assistente de Produção: Nadyne Oliveira Apoio: Jornalistas Livres, Greenpeace e Amazônia Real

O Capitão Krôhôkrenhũm

A PALAVRA QUE EU QUERIA TER DITO –

no lançamento do livro de Memórias do chefe Krôhôkrenhũm, em 09/12/2011
por Leopoldina Araújo*
UFPA-SEDUC/PA


Nós estamos muito alegres hoje, não é Capitão? É uma alegria estarmos aqui e eu me lembro de quando vim, pela primeira vez, em 1974. A aldeia, com sete ou oito casas de palha, apenas a sua de alvenaria… E o exato número de 49 pessoas. Perguntando pelo nome das crianças, o senhor me disse que não tinham mais nome na língua: “É tudo kupẽ, agora.” Já não faziam as festas… A estrada tinha cortado a aldeia e de um lado estavam as casas de vocês, do outro a casa do Posto da FUNAI, onde eu fui atenciosamente alojada. Mas eu lhe falei do Seu Expedito Arnaud e expliquei que estava fazendo um curso e meu professor me disse para estudar a língua da sua comunidade. O senhor concordou de ser meu professor.

Desde 1975, vocês começaram a tomar conta da venda da castanha e em 1976 vocês fizeram, depois de longo tempo, a festa do Hàk. A notícia saiu no jornal, em Belém. E, aos poucos, e nunca sozinhos, vocês, com o senhor na frente, foram voltando a se pôr de pé, a relembrar as cantigas, as festas. Eu fui embora…

Em 1981, o senhor mandou recado, pra eu vir escrever as histórias do Pyt e Kaxêre. Encontrei outra situação: o senhor tinha mandado chamar os kỳikatêjê, da Ladeira Vermelha, para juntarem-se a vocês, no Trinta, para conseguirem fazer de novo as festas, com as duas metades rituais: Pàn e Hàk. Eles todos falavam bem a língua e o senhor sentiu que isso era importante, para a sua turma. E voltaram a jogar flecha juntos, aos pares de parceiros.

Em 1989, de novo o senhor mandou recado, dessa vez, para eu vir coordenar um Projeto de Escola de 5ª. a 8ª. Série, pois o senhor estava preocupado com a saída dos jovens, a Iracema dentre eles, que queriam continuar seus estudos e, para isso, tinham de ir até Marabá.

E fizemos o Projeto da Escola: de julho de 89 a junho de 1990 o Projeto foi discutido com os jovens candidatos a alunos e com os velhos, nas reuniões de pátio. A Escola Parkatêjê funcionou de julho de 1990 a abril de 1995. Nesse Projeto, parceria entre comunidade, a Vale do Rio Doce e a SEDUC, além da assessoria e professores kupẽ, havia professores e conselheiros da comunidade: Kruwati e Paiare, depois também Piare, Jõkorenhũm, Mĩre… E a escola se fazia em sala e em campo, integrando trabalhos, festas e brincadeiras da comunidade em sua programação, seu currículo.

O entusiasmo inicial – quase 50 alunos incritos – manteve-se, embora o número de alunos diminuísse. Sofremos três duras perdas, durante esse tempo: seu filho Jõkũmti, o Nego, Kruwati, marido da Iracema e Jõkorenhũm, seu irmão. Um representante de cada grupo da comunidade, na escola – aluno, professor, conselheiro. Apenas oito alunos, se bem me lembro, concluíram a oitava série. Mas a semente estava lançada e dois anos depois a Escola foi autorizada pela SEDUC/PA, funcionando já há algum tempo com um Diretor membro da comunidade e professores kupẽ e parkatêjê..


Aquele Projeto da Escola, acompanhado pedagogicamente pela Professora Marineusa Gazzetta frutificou e produziu o primeiro livro da comunidade. O nome escolhido foii Conhecendo Nosso Povo. Inicialmente, vocês não queriam publicá-lo, parece que com medo de “entregar pro kupẽ” os segredos de seu povo, mas depois, pediram sua publicação e ela foi feita pela SEDUC/PA.

Em todo esse processo, destacava-se a sua liderança e exigência em favor do conhecimento das tradições, do uso da língua, mas também da ousadia de novos projetos, como o plantio de cacau, visando ao domínio de novas atividades e tecnologias que garantissem futura autonomia à  comunidade. A esse respeito, lembro da curiosidade e interesse da Madalena, querendo entender duas palavras: “cultura” e “futuro”. Eram realmente dois temas fundamentais das discussões daquela época e, entendo, continuam sendo hoje: cultura – a tradicional, a atual; futuro – que precisa ser construído, no presente, sem esquecer o passado.

Em 2000, o senhor gravou cantigas com o Prof. Erasmo Borges. O Instituto de Artes do Pará aprovou um Projeto meu, para publicação de uma parte delas, como o senhor desejava – “Cantos de Caçador”, já foi o segundo livro; em 2003, o Programa Raízes, do Governo do Estado publicou um livro meu sobre a Ortografia da Língua… A biblioteca parkatêjê vai crescendo. Seu livro de Memórias já é o quarto livro e eu lhe garanto que não demora muito eu termino o Dicionário parkatêjê-português, no qual venho trabalhando há bastante tempo e vai sair com mais de 2.000 palavras. Estou preparando mais coisas. To hĩ nã.

Como eu disse, no início, nós estamos muito felizes, hoje, Capitão: aquelas sete ou oito casas são agora duas aldeias (uma com dois círculos de casas), no Trinta, e outra,  no antigo Negão, que o senhor nomeou com o nome daquela antiga Rõhôkatêjê; uma aldeia kỳikatêjê, no Km 25 e uma aldeia akrãntikatêjê, no 15.  As 49 pessoas são hoje cerca de 500 – só na comunidade parkatêjê, penso que o mesmo tanto na dos kỳikatêjê e ainda os akrãntikatêjê, com número menor de pessoas. Creio que dá mais de mil pessoas, ao todo e isso é importante, mesmo se esse aumento conta também com outras etnias e uma parte de kupẽ, que aqui vieram se instalar. E, como o senhor me observou, ainda hoje: “Tem muita mulher buchuda, tá aumentando. É bonito!”

E hoje, está aparecendo o seu livro de Memórias. Uma boa parte do que o senhor quer deixar pro seu povo e, aliás, como o senhor disse e nomeou o livro, que pertence ao seu povo. Tem também o Vídeo, para deixar a sua “sombra”, pois como o senhor também disse: “Eu não quero morrer de graça.”.

Capitão, trabalhar nesse livro foi uma oportunidade única para todos os que participamos do trabalho. Como na Escola, começou com muita gente e terminou com pouquinha – as quatro “meninas” que bateram a peteca até o fim, o seu sobrinho, o seu neto. Mas mesmo quem não foi até o fim, viveu momentos de empolgação, alegria e diversão. O trabalho com o senhor, além de trazer muitas informações sobre fatos históricos e dados culturais, fazia-nos também rir um bocado, por conta do seu bom humor, emocionava, por nos dar a conhecer tantos momentos difíceis que o senhor teve de enfrentar, desde bem jovem e consolidou nossa admiração pela tenacidade com que o senhor se dedicou a salvar o seu povo – tanto fisicamente, como culturalmente.

Parabéns, Capitão e pode continuar contando comigo.

* Leopoldina Araújo –  professora, doutora e linguista,  autora do  Dicionário Parkatejê – Português, que atribui uma grafia à língua do povo Parkatejê. Fruto de mais de 40 anos de pesquisa.

 

 

Yawanawá

Imagens da abertura do V Festival Mariri da etnia yawanawá, na aldeia Mutum, Rio Gregório, . Denominada de saiti munuti, é uma ação de agradecimento aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e momentos de alegria que a comunidade vivencia, além de um sinal de boa vinda aos visitantes. Os cantos e danças yawanawá são expressões culturais cultivados pela etnia desde tempos imemoriais. Os yawanawá dizem que os cantos das rodadas de mariri servem para chamar a força dos ancestrais, conectá-los com a natureza e elevar seus espíritos ao Criador. Imagens Altino Machado Images of the opening of the V Mariri Festival of the Yawanawá ethnic group, in the village Mutum, Rio Gregório,. Named saiti munuti, it is an act of thanks to the spirits of the forest for the goods it offers and moments of joy that the community experiences, as well as a welcome signal to visitors. Yawanawá songs and dances are cultural expressions cultivated by the ethnic group since time immemorial. The yawanawá say that the corners of the mariri rounds serve to draw strength from the ancestors, connect them with nature and elevate their spirits to the Creator. Images Altino Machado (Altino Machado / Acervo H)
Imagens da abertura do V Festival Mariri da etnia yawanawá, na aldeia Mutum, Rio Gregório, . Denominada de saiti munuti, é uma ação de agradecimento aos espíritos da floresta pelos bens que ela oferece e momentos de alegria que a comunidade vivencia, além de um sinal de boa vinda aos visitantes. Os cantos e danças yawanawá são expressões culturais cultivados pela etnia desde tempos imemoriais. Os yawanawá dizem que os cantos das rodadas de mariri servem para chamar a força dos ancestrais, conectá-los com a natureza e elevar seus espíritos ao Criador. Imagens Altino Machado Images of the opening of the V Mariri Festival of the Yawanawá ethnic group, in the village Mutum, Rio Gregório,. Named saiti munuti, it is an act of thanks to the spirits of the forest for the goods it offers and moments of joy that the community experiences, as well as a welcome signal to visitors. Yawanawá songs and dances are cultural expressions cultivated by the ethnic group since time immemorial. The yawanawá say that the corners of the mariri rounds serve to draw strength from the ancestors, connect them with nature and elevate their spirits to the Creator. Images Altino Machado (Altino Machado / Acervo H)

Contato Korubo

Reportagem de Ricardo Beliel.

Em 1996 o sertanista Sydney Possuelo montou e chefiou uma expedição para fazer contato com os índios isolados korubo na área entre os rios Ituí e Itaquaí no Amazonas. Dez anos antes esses índios haviam exterminado todos os membros de uma outra expedição para contatá-los. Com a ajuda de índios matis, mayoruna, kulina, marubo e kanamary a frente de contato fez diversas incursões na floresta para estabelecer um primeiro contato pacífico. Montamos um acampamento próximo à aldeia e o contato acabou acontecendo acidentalmente num clima tenso e perigoso. Dias depois um dos membros da frente, Sobral, foi morto a golpes de borduna pelos korubo.

Saiba mais sobre Ricardo Beliel  /  Sobras Incompletas

COMEÇA A XV ASSEMBLEIA GERAL ELETIVA DA FOIRN EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA

A abertura oficial da XV Assembleia Geral da Federação das Organizações Indígenas do Rio Negro (FOIRN), principal organização representativa de 23 povos distintos que vivem na região do alto Rio Negro, abrangendo os municípios de São Gabriel da Cachoeira, Santa Isabel do Rio Negro e Barcelos, foi realizado ontem, segunda-feira, 21/11, as 19hs. Na cerimônia de […]

via COMEÇA A XV ASSEMBLEIA GERAL ELETIVA DA FOIRN EM SÃO GABRIEL DA CACHOEIRA — Terra e Cultura

Foto de capa: Índio Tukano em São Gabriel da Cachoeira
©Paulo Santos