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Panela de Pressão

Manifestações em Belém (PA) contra as reformas trabalhista e da Previdência propostas pelo Governo Michel Temer.


Imagens de Ney Marcondes e Eduardo Kalif


 

 


O Inferno de Temer


 

 

Acervo H logo revisao

O Bronze da Luz

 


Ana Mokarzel

No torpor da noite, o bronze da luz se dilui com as imagens. Neste tempo pouco, o michê flerta com seu próximo segundo, tentando seduzir mais um cliente. O brilho do carro, noir, remete a tempos passados, ou quem sabe cria memórias ao fecundar o presente.

A fotógrafa Ana Mokarzel, administradora por formação, consultora respeitada na área de recursos humanos, reencontra a fotografia, que conheceu ainda criança. A lembrança do pai lhe vem à memória. Ele ensinou as primeiras lições da escrita com a luz, como um mestre que segura a mão do discípulo no capricho das letras. O envolvimento foi inevitável. Ana passou a se dedicar cada vez mais à fotografia e, sem abandonar o trabalho original, agrega este novo universo a ele. Dinâmica, não se permite limites. Curiosa com a nova janela aberta, Ana se debruça e cai, como Alice no País das Maravilhas. E nos convida a viagens por mundos esquecidos e imaginários repletos de personagens instigantes que poucas pessoas sabem perceber.


Texto Paulo Santos

 

 

 

 

Talhado no Front

O fotógrafo Raimundo Paccó é conhecido dos consumidores de imagens e notícias. Talhado no front do fotojornalismo, Paccó conheceu o mundo trabalhando para jornais como Correio Brasiliense, Folha de São Paulo, entre tantos outros. Um trabalho voltado à documentação, cobertura diária. Companheiro em grandes reportagens, como o assassinato de Dorothy Stang ou o massacre dos garimpeiros pelos índios Cinta-Larga em Rondônia – ambos tão simbólicos para Amazônia.

Mas outro Paccó dentro do mesmo fotógrafo. Em pequeníssimo ensaio, aqui ele se permite um olhar menos tensionado pelo tempo, contemplativo, alheio à produção do chamado hard news jornalístico.

Como barco ao largo da cidade, flanando pelos rios, ele transita. Um caminho de luzes trilhado por onde o fotógrafo passa, passa e vê. O movimento das cores nas velhas e sólidas construções estáticas. História que se confunde com cenários cenográficos, vermelho tungstênio marcado nas pedras do forte. E a lua, que ele não mostrou naquele dia, mas guardou na retina.


Texto Paulo Santos

O Fotógrafo Militante

Lucivaldo Sena



Militante dos movimentos sociais, o fotógrafo Lucivaldo Sena construiu seu início profissional participando e documentando as manifestações populares. A fotografia como ferramenta de denúncia era seu instrumento, no corpo a corpo social.  Ele amadurece na infantaria dessas batalhas e, com linguagem própria, técnica precisa e talento consumado, se profissionaliza, publicando trabalhos nos principais jornais e revistas do Brasil, como O Estado de São Paulo, revista Exame, portal Uol, além das agências noticiosas nacionais e internacionais. como AP, Reuters e AFP. Nesta corrida edição do Lucivaldo, uma inesquecível imagem noturna: o cocar com fogos ao fundo. Símbolos que se confundem, que se completam, que se agridem e acariciam. A descoberta, pelos olhos sensíveis, de um veio de possibilidades que dá à fotografia a riqueza que produz encantamento e verdade.


Texto Paulo Santos

O Médico e o Fotógrafo

 

 


Carlos Barreto é médico. Sua especialidade: intensivista. Trata-se do camarada encarregado de manter acesa a linha da vida quando ela ameaça apagar-se. Para profissionais do seu quilate, a precisão é imprescindível. Quem sabe tenha influência dessa rotina a característica mais expressiva das fotografias de Carlinhos: elas são geométricas, mas insinuantes. A exatidão, nessas imagens, é pervertida. A reta propõe a fuga dos olhos. A linha do horizonte ameaça uma rebeldia, assimilando personagens como num quebra-cabeça. É uma fotografia a ser desvendada. Como se o médico, preciso como deve ser, ressuscitasse no diagrama do olhar as suas mais estimulantes incertezas. Que são, na verdade, as inevitáveis imprecisões humanas.


Texto Paulo Silber